
Marília Velano
Em casa tínhamos algumas brincadeiras muito sérias quando crianças. A escolinha era uma delas. Acontecia logo após a escola e tinha só duas pessoas que se revezavam entre aluno e professor. Eu e minha irmã. Um dia eu combinei com ela de roubar o giz da escola para fazer uma versão mais sofisticada de escolinha em casa. Como ainda não tínhamos quadro para rabiscar decidimos desenhar atrás das portas de madeira e dos grandes porta-retratos da gente bebê que ficava no nosso quarto. A aula foi um sucesso. No dia seguinte minha mãe comprou um quadro pequeno pra gente. Eu nunca imaginei que essa brincadeira era infinita. Dessa vez nem roubei giz, só abri uma página aqui para rabiscar, tentando preservar as portas e os retratos da gente bebê. Minha mãe disse que não é em qualquer superfície que a gente pode deixar a nossa marca. Convido vocês para este quintal gigantesco da escolinha, que faz a gente deixar nossas marcas e receber as marcas do mundo na gente


sobre a fort-da
Psicanalista, mestre em Psicologia pela Université Paris VII Denis Diderot, doutora em Psicologia pela Universidade de São Paulo (IP/USP), professora do Departamento de Psicanálise com Crianças do Instituto Sedes Sapientiae.
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